segunda-feira, 29 de julho de 2013

O homem que amava demais

Buenos Aires (Foto: Google imagens)

A viagem de Belém para Buenos Aires ainda não estava nem na metade e ele já havia pedido três pessoas diferentes em casamento. Para todas elas, o discurso era o mesmo. Eu amo você, casa comigo? Tinha convicção que a pergunta era feita com a alma. Não conseguia fingir sobre seus sentimentos. Não se contentava com uma noite apenas. Queria mais, queria dividir a mesma casa, formar família, ser um só corpo. Homem ou mulher, tanto faz. Dentro dele, o amor não escolhia gênero. Ele queria apenas ser correspondido.

Amava demais. Se apaixonava fácil. Planejava uma vida inteira a dois, com roteiros de viagens paradisíacas, sempre que era atraído por alguém. E não importava o local. Já pediu inúmeras pessoas em casamentos nos mais estranhos lugares que se pode imaginar. Elevador, cemitério, farmácia, banheiro de supermercado, consultório dentário, não havia um limite. No local em que ele se interessasse por alguém, lá mesmo ele pedia em casamento e fazia juras eternas de amor.

Sabia que esse comportamento era prejudicial. Mas não tinha controle sobre os seus desejos. Amava demais. Procurou ajuda psiquiátrica, mas não deu certo. Acabou se apaixonando pelo analista e realizou um pedido de casamento ali mesmo no consultório, com a participação de um grupo de violonistas tocando músicas do Chico Buarque.

Aos 35 anos, já acumulava três casamentos. E apesar dos relacionamentos não terem dado certo, sabia que todos foram eternos enquanto duraram. Amava demais. Nunca enganou nenhum companheiro ou companheira que esteve com ele. Se o amor acabasse, ele sempre fazia questão de esclarecer ao outro. Era chegada a hora de encarar um novo romance. Sem amor, não existe motivo nenhum para continuar o casamento. Dizia ele, sempre que terminava um relacionamento.


Não conseguia amar uma pessoa apenas. Essa era sua sina. Queria controlar seus desejos, queria que tudo fosse bem mais fácil. Mas não conseguia. Era refém de um sentimento maior. Ao desembarcar no aeroporto de Buenos Aires, foi atraído pelo olhar de uma taxista que o cumprimentou e antes de perguntar qual o destino do recém-chegado, foi interrompida pela frase ¿Quieres casarte conmigo?

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