quinta-feira, 16 de maio de 2013

Do Outro Lado da Guerra


O trabalho de ex-dependentes químicos na luta de combate às drogas 

Projetos de recuperação liderados por ex-adictos vem aumentando em Belém (Foto: Mauro Angelo) 


Desde que terminou o tratamento contra a dependência das drogas, em uma clínica de recuperação em Belém, o ex-dependente químico André Barbosa, 31, começou a construir um sonho. Criar junto com amigos, um centro de recuperação voltado exclusivamente para mulheres. “A nossa ideia era criar um espaço onde o foco fosse o tratamento de mulheres com dependência química, já que centros de recuperação específicos para elas ainda é muito raro em Belém”, afirma André.

Com ajuda de amigos, aos poucos a ideia foi saindo do papel e o sonho se tornou real. Hoje, com oito meses de existência, a entidade, que funciona em uma casa alugada no bairro do Tapanã, em Belém, atende a 10 mulheres. E cerca de 80 pacientes já foram beneficiadas pelo centro. “É um trabalho que só funciona porque conta com ajuda de muita gente. Não é fácil e nem barato manter essa casa funcionando, mas com ajuda de amigos, principalmente daqueles que como eu, já passaram pelo mundo das drogas e hoje graças a Deus estão livres desse mal, nós vamos levando. E fazendo desse centro, uma referência no tratamento de mulheres com dependência química”, explica o idealizador e coordenador do centro de recuperação feminino Peniel.

Centro de recuperação que funciona  em uma casa alugada no bairro do Tapanã, em Belém, já ajudou cerca de 80 mulheres (Foto: Mauro Angelo)


Com a mesma vontade de André, a ex-dependente química Joana (nome fictício), que já passou por tratamento na entidade, também ajuda no trabalho de divulgação do centro e atualmente compartilha  com as internas a experiência dos 20 anos que viveu sob o domínio das drogas. “Nós que já vivemos na pele o sofrimento de ser usuário precisamos ajudar,  de alguma maneira, quem está sofrendo com esse mal. Pois se nós conseguimos nos livrar do mundo das drogas, essas pessoas também podem. Por isso eu faço questão de ajudar e continuar visitando o centro, pois se eu me recuperei foi porque alguém me estendeu a mão. E agora que eu estou limpa, eu preciso fazer o mesmo que fizeram por mim”, declara Joana.


"Eu preciso fazer o mesmo que fizeram, por mim", afirma a ex-dependente química (Foto: Mauro Angelo)



Também é através do compartilhamento que experiências que a estudante universitária Adriana (nome fictício), 26 anos, participa de palestras em escolas publicas da Região Metropolitana de Belém, levando a mensagem de combate às drogas. “Nós que já passamos por isso, estivemos no fundo do poço e sentimos na pele o quanto a droga é destrutiva, somos a prova de que entorpecente nenhum vale a pena. E é essa mensagem que nós levamos para os estudantes: não entre nessa. Ouça a voz de quem, infelizmente, já esteve do outro lado e não deseja isso nem ao pior inimigo”, garante a jovem, que participa de uma ONG nacional que luta contra o uso de entorpecentes.

“Nós sabemos que o nosso trabalho é o mínimo, mas esse mínimo tem ajudado muito. A cada pessoa que sai recuperada da nossa instituição e volta para nos ajudar, seja através de uma doação, do compartilhar seu testemunho ou de propagar o nosso trabalho, isso já é uma semente que deu certo”, ressalta André, que com um largo sorriso no rosto, revela que já pensa em ampliar o número de vagas no centro Peniel. Mesmo com todas as dificuldades, ele não desiste do sonho e diz que são os resultados positivos do projeto que o impulsiona a continua cada vez mais. 


https://mail.google.com/mail/ca/u/0/images/cleardot.gif

Nenhum comentário:

Postar um comentário