quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Amador [parte 2]

Festa em homenagem ao novo presidente da mineradora


“Eu, presidente de uma das maiores empresas de mineração do país”. A frase não parava de sair de sua cabeça. Finalmente havia chegado à presidência. Finalmente havia chegado ao lugar que tanto sonhou. Não foi fácil, lembrou de todas as dificuldades que passou para chegar até ali. “Comecei como estagiário, depois fui promovido a coordenador adjunto do setor de almoxarifado e hoje vou a ocupar a principal cadeira da instituição. Obrigado a todos vocês”, discursou; e em seguida, foi aplaudido por uma plateia de 500 convidados,  que lotou o centro de convenções da empresa.

“Você é um homem de sucesso. Se chegou até aqui foi porque mereceu. Sua biografia é testemunha”, afirmou o ex-presidente da empresa de mineração, enquanto o cumprimentava. Lamentou pela noiva não estar ao seu lado nesse momento. Mesmo sendo avisada com duas semanas de antecedência, ela alegou que não tinha tempo para ir e que toda a sua atenção estava voltada apenas para o casamento. “A festa só não está completa porque eu não estou com a minha mulher ao lado, recebendo as congratulações”, declarou durante o telefonema para a noiva. “Oh, meu querido. Você sabe que eu queria muito estar com você. Mas eu tenho que priorizar o nosso casamento. É daqui a duas semanas e nada pode dar errado, não é? Agora, por exemplo, eu tenho que desligar o telefone porque vou começar a experimentar as joias e os adereços feitos exclusivamente para o meu vestido”.


Não aguentava mais falar em casamento. Não aguentava mais a futilidade de sua noiva. Mas estava decidido. Precisa encarar uma nova vida. Afinal, agora é presidente da terceira maior mineradora do país. É a chance de dar um basta à vida de garoto de programa que já leva há quase 15 anos. “Aceita mais um drinque, presidente?”, perguntou a assessora de comunicação da empresa, já visivelmente alterado pelo álcool. Ele recusa educadamente, finge ir ao banheiro e deixa a jornalista falando sozinha.


Cumprimenta dirigentes da empresa, posa para foto com colegas, pede um suco de abacaxi com gelo para o garçom e assim que termina de beber sorri de forma irônica ao lembrar de uma piada que ele mesmo inventou. “Agora eu sou um puto presidente. Ou seria um presidente puto?”, sussurrou para si mesmo, rindo sozinho. Olha o relógio, cumprimenta mais convidados, agradece pela presença de todos na festa e diz que precisa ir embora. Amanhã já começa o trabalho como presidente, precisa descansar.


Vai embora. No estacionamento é surpreendido com a assessora de comunicação que o espera com dois copos de Whisky na mão. “Esse é para você, presidente”. Agradece educadamente e a ignora pela segunda vez. “Até quando você vai ficar me esnobando, doutor Luis Henrique Amador?”. “Eu não estou esnobando. Só recusei porque estou dirigindo, não costumo beber quando estou ao volante. Além do mais, amanhã tem trabalho. Preciso estar revigorado”. Ela começa a ri. “Nossa, você falando assim, até parece um homem integro. Com uma reputação impecável”. Ele a ignora, vai em direção ao carro, abre a porta do veiculo e antes de entrar é surpreendido novamente pela jornalista. “Não adianta fingir, Amador. Eu sei que você é prostituto. Que não  livra a cara de ninguém. Pode ser homem, mulher, travesti. Basta pagar e você estará pronto para dar prazer”.


Continua no próximo capitulo... 

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