terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Entre o todo e o resto PARTE II


acompanhe aqui a primeira parte deste conto

Maria acordou. Não havia carro, não havia música piegas, não havia estrada. Estava nua, deitada no chão do quarto. Por alguns segundos pensou que tudo era apenas um sonho, acreditou que jamais foi apaixonada pelo irmão adotivo. Mas uma camisinha usada, ao seu lado, escancarava a realidade que ela se encontrava. Fora a história do acidente na estrada, tudo era verdade. Estava loucamente apaixonada. Sim, acabara de beber todo o sêmen depositado no preservativo.

Aquilo era o resto. Ela queria o todo. Fechou os olhos novamente, respirou fundo, contou até a cinco, levantou e decidiu ir até o quarto do irmão. Sem bater na porta, foi entrando direto no cômodo e encontrou o homem da sua vida no banheiro, apenas de toalha, fazendo a barba. Não queria mais o resto.

Antes dele falar qualquer palavra, ela o abraçou forte, arrancou a toalha do corpo dele e o beijou na boca. Queria o todo. “Pára Maria. Isso é loucura. A gente não pode fazer isso”, disse ele, enquanto segurava as mãos dela e tentava se esquivar dos beijos. Ela fingia não ouvir. Ele continuava resistindo. Ela insistia. “A gente não pode. Nós somos irmãos. Isso é...”. A fala dele foi interrompida por um novo beijo. A persistência dela venceu. Ele ficou excitado.

Não tinha mais como fugir. Finalmente ela teria o todo. “Isso é loucura”, sussurrou ele, enquanto acariciava os seios da mulher que tanto resistiu. “Concordo com você. Isso é loucura. Mas atire a primeira pedra quem nunca cometeu uma”, sussurrou ela, enquanto lambia a orelha dele.

Sem perder tempo, fizeram amor ali mesmo no banheiro. Ele ainda tentou pegar uma camisinha, dentro do armário fixado na parede, mas ela disse que não. Queria o corpo dele por inteiro. Aquilo era o todo. Não havia mais espaço para o resto. Fechou os olhos e em oração pediu para o tempo parar naquele exato momento.

Abriu os olhos. Não havia mais banheiro nem corpos suados, não existia mais o todo. Na sua frente, uma estrada vazia e um velocímetro marcando 180 km/h. Estava desnorteada dentro de um carro, ouvindo uma canção romântica piegas. “Meu Deus! O que está acontecendo comigo?” Não havia mais nenhum indício de razão em sua mente. O carro acabara de se chocar de frente com um caminhão.