segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Doze minutos


Foram doze minutos. Contados um a um para que tudo chegasse ao fim o mais rápido possível. Não havia amor, não havia sentimento, não havia libido, não havia prazer. Apenas uma vontade enlouquecida de se vingar. Na sua frente, um homem desconhecido que há poucas horas atrás ela jamais sabia que existia. Em seu semblante, a imagem da indiferença.

Era a primeira vez que fazia sexo sem amor. Doze minutos. 720 segundos. Nenhum sentimento. Tudo culpa dele, custava ter me levado para o final de semana na praia. Fui abandonada e trocada por meia dúzia de amigos de infância. Ele precisa levar o troco. Foi pensando assim que ela convidou o primeiro desconhecido que encontrou num site de relacionamentos para fazer uma visita em sua casa. Deixou claro que queria apenas sexo e que era uma mulher “extremamente racional”.

Assim que o desconhecido, um homem com o dobro de sua idade, entrou em sua casa não trocaram mais de oito palavras, foram direto ao quarto e começaram a se despir. Extremamente racional quem? Eu? Nem que tentasse, não havia como negar seu sentimentalismo. Mesmo com toda a frieza do encontro, era visível o olhar de abandono e carência em que ela se encontrava.

Abriu as pernas. Doze minutos de silêncio, quebrado de vez em quando pelos gemidos e gargalhadas do desconhecido. A vingança havia sido consumada. No rosto do homem, o gozo de satisfação. E antes dele concluir a frase pedindo uma segunda vez, ela o interrompeu e na mesma hora o mandou embora de casa.

Foram os piores doze minutos da sua vida. Assim que o desconhecido saiu, ela começou a chorar desesperadamente. Estava arrependida, mas não havia como voltar atrás. A vingança havia sido consumada. Sexo por vingança. 720 segundos. A campainha da porta começa a tocar insistentemente.

Imaginando que ainda é o homem, abre a porta ainda nua e antes de olhar em direção a visita começa a gritar. Vai embora daqui, você já fez o que tinha de ser feito. Fiz o quê, amor? Disse seu namorado, com um buquê de flores na mão. Eu vim aqui te buscar para a gente ir à praia. Estava brincando com você quando disse que iria sozinho. Queria fazer uma surpresa. Afinal, amanhã a gente faz três anos de namoro. Não é?

4 comentários:

  1. Putzzzzzz...
    Meu chefe costuma dizer: "Não podemos pecar por tirar conclusões precipitadas!"

    Achei a crônica muito inteligente e bem escrita.
    Parabéns, meu amigo.

    Um beijo

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  2. Eita, depois ela deve ter chorado mais ainda, não?
    Mas as coisas estão nesse caminho mesmo, as pessoas estão menos tolerantes, aquela coisa do "olho por olho, dente por dente."
    Muitas vezes uma vingança em vão, como no caso da sua personagem.

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  3. 1 - queria muito ser usado assim.
    2 - já pensou se ela conta tudo e no outro dia descobre que ele a traiu?

    rsrsrsr

    Grande Adison!

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  4. putzzz..que louco.daí a sensação de arrenpeder-se tarde demais!
    é isso ai,agrsem razão é dá as cartas sem conferi-las!
    sabia que vc era capaz...com contos...por um ponto.. é melhor ainda,parabéns!

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