quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O fenômeno de Cametá

É entre sacos de farinha d’ água numa barraca na feira livre de Cametá, município localizado a 150 km de Belém, que o cantor e feirante Bernadino Sena da Cruz, 53 anos, comercializa seus discos. Desde 2000, ano em que começou a fazer suas composições Dino Sena, como é conhecido, acumula mais de 120 músicas e já gravou 21 CDs autorais. A inspiração para as canções vem de todos os lugares, de sonhos a notícias no jornal, de histórias contadas em praça pública a filmes na televisão.

De visual estiloso, com trancinhas rastafári, adereços coloridos e um linguajar caboclo, ele faz questão de narrar cada história que existe por trás de suas composições antes de cantar. Em dez anos de carreira seu maior sucesso é a música “Sharon Stone”, feita em homenagem a atriz norte-americana com o nome título da canção. “Eu estava assistindo o filme O Vingador do Futuro na televisão quando a beleza daquela mulher me encantou. E então eu disse, porque não fazer uma música pra ela? E então decidi fazer uma homenagem pra essa musa do cinema. Foi assim que nasceu a música mais conhecida da minha carreira”, afirma.

Dino Sena já compôs mais de 120 músicas

Na letra de “Sharon Stone”, Dino Sena declara seu amor pela atriz e diz sentir inveja do ator Arnold Schwarzenegger, que contracena com ela no filme. Nas estrofes da música frases como “Me dá inveja do Árnou Esfacenégar, o vingador do futuro, beijando os teus lindos lábios, amaciando teus lindos seios. Quase morro de paixão...” mostram com clareza a irreverência contida nas letras de suas composições. Uma das suas principais características.

Sua primeira música surgiu após um sonho, considerado por ele uma luz divina. Desde então, não parou mais de compor. Ele afirma que possui guardado em sua casa um estoque de músicas inéditas que ainda pode render mais uns três discos. E isso já está em seus planos. Pretende gravar os próximos CDs da mesma forma que gravou os demais, pagando todas as despesas de seu próprio bolso, do pouco que ganha como vendedor de farinha.

                                  Clipe da música Sharon Stone, gravado na cidade de Cametá-PA

Fã de Roberto Carlos e Elvis Presley, suas maiores referências, Dino acredita que o artista não deve fazer apenas um estilo de música. Tanto que o ecletismo presente em suas canções varia do bolero ao samba de raiz e do forró ao reggae . “Eu gosto de fazer música de todos os ritmos. Pintou a inspiração na minha cabeça eu faço, pode ser brega, lambada, forró ou até samba enredo. Já fiz música falando de chuva, de casos policiais, de mulher que abandona o marido, de cachorro perdido e ixi!... não tem conta. É por isso que eu sou o fenômeno da música de Cametá”, garante.

Atualmente Dino se prepara para o maior desafio da sua carreira. Enfrentar 2.933 km de ônibus de Belém a São Paulo para divulgar o seu trabalho. E tudo isso, sozinho. “Quando eu chegar lá, vou bater cada dia numa porta de uma emissora de televisão. Se for preciso ficar sentando na calçada eu vou ficar. Sei que vai ser difícil, mas preciso mostrar meu trabalho lá fora”, conta. A viagem já estava programada há muito tempo, mas somente agora conseguiu realizar seu sonho. Na bagagem algumas roupas, o inseparável violão e os 21 CDs gravados.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cinco corpos e um desejo

Fonte: Google imagens

Maria, Guilherme, Antônia, Pietra e Henrique. A celebração do amor, o jubilo do gozo, a liberdade escancarada ao prazer. Cinco corpos numa cama. Dez mãos descontroladas. Um desejo realizado. A descoberta do sexo coletivo, a troca de caricias em grupo, libido em êxtase, a entrega total... Não, pára. Não, pára. Não, pára...

Era a primeira vez que os amigos faziam uma orgia. A ideia havia sido cogitada há tempos, mas só agora se realizava. Dez pernas descontroladas. Enquanto Maria beija a boca de Pietra e Henrique morde a bunda do Guilherme, Antônia se deleita masturbando Henrique ao mesmo tempo em que chupa a vagina de Maria. A troca de posição é constante. Agora é Pietra que ocupa o lugar de Antônia, enquanto é penetrada por Guilherme, que é penetrado por Henrique. Não, pára. Não, pára. Não, pára... Maria goza pela primeira vez.

Em pensar que tudo isso começou com a ideia de um blog coletivo sobre contos eróticos. No início os amigos tinham apenas uma relação virtual, mas com o passar do tempo as relações foram sendo geograficamente mais estreitadas e agora, mais do que nunca, estreitadas entre quatro paredes. Cinco bocas descontroladas. Antônia morde a bunda de Henrique enquanto lembra o quanto era recatada antes de escrever para o blog. Guilherme continua sendo penetrado...  O gemido de Pietra é ouvido em toda a vizinhança. Maria goza pela segunda vez.

Todos estão sóbrios. A sobriedade é mesmo uma loucura, pensa Henrique. A cama é pequena para tanto prazer e eles ocupam todo o chão do quarto, que também fica pequeno. Não existe culpa nem culpados, somente gemidos e entrega. Não, pára. Não, pára. Não, pára... Agora o gozo é coletivo.

Maria comenta que aquele momento poderia inspirar um conto. Guilherme liga o computador e ainda com as pernas bambas e o coração acelerado, começa a escrever. Ele sugere que cada um escreva um parágrafo. Um texto feito a dez mãos, cinco corpos nus, bocas descontroladas, pernas enlouquecidas e cheiro de orgasmo. A entrega começa mais uma vez. E a cada pausa, um deles escreve este conto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Doze minutos


Foram doze minutos. Contados um a um para que tudo chegasse ao fim o mais rápido possível. Não havia amor, não havia sentimento, não havia libido, não havia prazer. Apenas uma vontade enlouquecida de se vingar. Na sua frente, um homem desconhecido que há poucas horas atrás ela jamais sabia que existia. Em seu semblante, a imagem da indiferença.

Era a primeira vez que fazia sexo sem amor. Doze minutos. 720 segundos. Nenhum sentimento. Tudo culpa dele, custava ter me levado para o final de semana na praia. Fui abandonada e trocada por meia dúzia de amigos de infância. Ele precisa levar o troco. Foi pensando assim que ela convidou o primeiro desconhecido que encontrou num site de relacionamentos para fazer uma visita em sua casa. Deixou claro que queria apenas sexo e que era uma mulher “extremamente racional”.

Assim que o desconhecido, um homem com o dobro de sua idade, entrou em sua casa não trocaram mais de oito palavras, foram direto ao quarto e começaram a se despir. Extremamente racional quem? Eu? Nem que tentasse, não havia como negar seu sentimentalismo. Mesmo com toda a frieza do encontro, era visível o olhar de abandono e carência em que ela se encontrava.

Abriu as pernas. Doze minutos de silêncio, quebrado de vez em quando pelos gemidos e gargalhadas do desconhecido. A vingança havia sido consumada. No rosto do homem, o gozo de satisfação. E antes dele concluir a frase pedindo uma segunda vez, ela o interrompeu e na mesma hora o mandou embora de casa.

Foram os piores doze minutos da sua vida. Assim que o desconhecido saiu, ela começou a chorar desesperadamente. Estava arrependida, mas não havia como voltar atrás. A vingança havia sido consumada. Sexo por vingança. 720 segundos. A campainha da porta começa a tocar insistentemente.

Imaginando que ainda é o homem, abre a porta ainda nua e antes de olhar em direção a visita começa a gritar. Vai embora daqui, você já fez o que tinha de ser feito. Fiz o quê, amor? Disse seu namorado, com um buquê de flores na mão. Eu vim aqui te buscar para a gente ir à praia. Estava brincando com você quando disse que iria sozinho. Queria fazer uma surpresa. Afinal, amanhã a gente faz três anos de namoro. Não é?