quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Amor em tempos de pós-modernidade

Fonte: Google imagens


No relógio, 29 horas. Na rua, pessoas apressadas andando de um lugar a outro e indo a lugar nenhum. Todos falam. Ninguém se ouve. Nas fábricas, não há mais quem defina o que é máquina do que é gente. O dia agora possui 36 horas, mas ainda existem reclamações de que isso é muito pouco tempo.

 A estética é a ideologia que impera. Agora tudo é pós. Pós-moderno, pós-tecnologia, pós-capitalismo, pós-crença, pós-sucesso, pós-humanos, pós-vida. Ninguém se ouve. Todas as relações são liquidas. Todos falam. O amor se industrializou e se transformou em mera reação química, com fórmula e patente, vendido em cápsulas de 6 ml em qualquer farmácia. Ama quem pode pagar. Paga quem lucra. Lucra quem possui os meios de produção.

Não existem mais nomes próprios, apenas números. A medicina descobriu a cura do câncer. Agora a depressão, conhecida como o mal do século, é a doença que mais mata. Não há mais espaço para a solidariedade. Todas as relações são liquidas. Instaura-se a sociedade da individualização. Todos competem, a todo o momento, todo dia, todas 36 horas.

Não existe mais contracultura, ninguém mais nada contra a maré, todos seguem o mesmo caminho. O Preço do amor em cápsulas cresce a cada dia, priorizando apenas as classes mais abastadas. Ninguém mais sabe o significado da palavra revolução. O preço do amor continua subindo. A procura também aumenta. A produção da cápsula diminui. Instala-se o caos. Tudo chega ao fim. E nasce um novo tempo.

2 comentários:

  1. Viva a perfeição deste momento, a veracidade dessas palavras...

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  2. Adison

    E há aqui muita relatividade. Cada vida acompanha um tempo. Daqui há alguns anos não fará mais sentido. :)

    Beijos

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