sábado, 20 de agosto de 2011

Nós


A primeira vista eram dois, mas observando com os olhos da alma se via apenas um.  A olho nu eram diferentes, totalmente opostos e sem nenhuma afinidade de pensamentos, mas  analisando com mais detalhes eram demasiadamente iguais.  Um era poesia e o outro a extrema razão.

Um era subjetivo e o outro muito autoritário. O gozo que um sentia em mandar era o mesmo que o outro sentia em ser submisso. Se de um lado o poder de submeter alguém era qualidade, do outro, realizar cada ordem era a maneira mais visível de demonstrar carinho por quem tanto admirava.

Complementavam-se em tudo. E por mais que passasse pela cabeça de um dois se separar algum dia, sabiam que isso era impossível. Dependiam um do outro. Mandar e ser mandado. Falar e ouvir. Abraçar sem pedir, sentir mesmo sem tocar, pedir um abraço e levar um “não!”.

E assim seguiam a vida. Fingido ser dois, acreditando que não era apenas um. Entre esporro e afago no cabelo. Entre um amor escancarado e um sentimento escondido, reprimido, calado. E assim viviam. Entre as diferenças da mente e as semelhanças da alma.

3 comentários:

  1. PERFEITO! Fiquei encantado, suave e ao mesmo tempo sincero. A simbiose perfeita entre dois...

    Um abraço!

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  2. LINDO!!!! POÉTICO!!!
    submição ao amor servir ao amado... ser completo e feliz com isso....
    LINDO!!!

    PARABÉNS MEU CARO...

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  3. Simples e tão completo.
    Eu amei...

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