domingo, 31 de julho de 2011

(Des)construção


A imagem refletida no espelho do banheiro era distorcida. O som emitido pela sua voz era dissonante.  Os seus sentimentos não eram os mesmos das pessoas com quem convivia. Mas mesmo assim, ele insistia em ser igual ao outros. Igual no amor, na dor, no erro, na alegria...  na vida.

Não admitia ser diferente, não queria fugir dos padrões, convenções e destino traçado. Queria mudar sua sina e começou a mentir para si mesmo. Fingiu gostar de futebol. Fingiu ter uma velha opinião formada sobre tudo. Fingiu amar, mesmo odiando. Fingiu tanto que acreditou na sua própria mentira. Mas a imagem no espelho continuava distorcida e o som de sua voz dissonante.

Mentiu, fingiu, inventou, desconstruiu e continuava sendo o mesmo.  Diferente. Estranho. Tudo o que eu queria era ser normal, pensou. Continuou fingindo e não obteve sucesso. Então, começou a se aceitar como realmente era e virou poeta.

10 comentários:

  1. (na linha de comentários monossilábicos): ahazou!

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  2. tem gente q nasceu p literatura msm...
    perfect,,, ;)

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  3. Gostei demais, parabéns pelo Blog, já favoritei, vou sempre dar uma passadinha por aqui.

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  4. Obrigado, meus queridos
    Beijos, abraços e afago no cabelo de cada um

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  5. Adison

    "Para falar a verdade, também minto."

    O texto me pareceu de uma sensibilidade sem tamanho.
    No fundo, no fundo, todos nós acabamos entrando no molde,mesmo sem querer.

    Abraço meu!

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  6. Michele, esse texto é é o grito da alma de um poeta que se reconheceu como é...

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