quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quanto vale o amor?

Fonte: Google imagens

A placa com a mensagem em vermelho “Fazemos amor por 30 reais, tratar aqui”, colocada em frente à casa de Melissa dos Anjos, chama a atenção de quem caminha pela passagem das Flores, no bairro de Fátima, em Belém. Segundo a jovem negra, com cabelos tingidos de louro, desde que a mensagem foi colocada na porta, não faltam clientes. “Todo mundo sabe que eu sou garota de programa. E eu não tenho vergonha nenhuma disso, pelo contrário”, afirma Melissa, travesti que veio do interior do Amazonas e há cinco meses briga com os vizinhos na Justiça para a permanência da placa no local. “Isso é um desrespeito às famílias de bem daqui do nosso bairro. Não temos nada contra o que ela faz. Mas não admitimos exposição dessa falta de vergonha aqui na rua”, alega dona Helena Santos, uma das vizinhas que luta na Justiça para a retirada da placa.

A casa de madeira com três cômodos, situada em uma rua de chão batido, não apresenta nenhum conforto. O imóvel é herança de uma tia de Melissa que também ganhava a vida vendendo o corpo. “Minha tia sempre foi um exemplo pra mim. Ela foi a única pessoa na minha família que apoiou a minha orientação sexual”, diz a travesti, emocionada ao lembrar da tia, assassinada ano passado durante uma briga na boate que trabalhava, no centro da cidade.

Melissa nasceu com o nome de Francisco Monteiro dos Anjos. Mas, desde que começou a se entender como gente, sempre se achou estranha em seu corpo. “Eu não era um menino, apenas tinha um corpo de menino. Com o tempo fui compreendendo e aceitando a minha natureza, a minha verdadeira orientação sexual, que era ser mulher”, afirma. Hoje, aos 23 anos, a jovem que escolheu o seu novo nome após ver um comercial de uma sandália na TV, gosta do trabalho que faz e se diz feliz com a vida que tem. E apesar dos problemas com os vizinhos, acredita que vai ganhar a causa. “A placa não ofende ninguém. Eu não uso palavras como sexo, prostituição ou coisas do tipo. A mensagem fala de amor. Tem cliente que vem aqui paga 30 reais, tira a roupa e nem toca o meu corpo. Vem apenas porque se sente bem ao meu lado e sabe que encontra aqui alguém que o escuta”, revela.

E se por acaso a placa for mesmo retirada? Melissa tem uma ideia. Vai colocar uma nova placa sem informação de preços. “A mensagem será: Neste lar celebramos o amor. Só isso, sem colocar quanto ele custa. E isso, a Justiça não pode me impedir. Ou pode?”, questiona. E quanto vale o amor? Aí ela fica tímida, reflete um pouco e responde “Eu cobro 30 reais, mas o amor vale aquilo que você paga por ele”.

2 comentários:

  1. Acho que os visinhos se incomodam porque uma "pecadora" é mais feliz do que todas as "santas".

    =)

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  2. Adison

    E quantas Melissas não estão por aí, vendendo o corpo a preço de banana?
    Acho tão triste...
    O amor não tem preço... mas a vida, custa caro!


    Um abraço!

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