quinta-feira, 3 de março de 2011

O dito, o ouvido e o falado

Todos nós assistimos. Alguns em tempo quase real. Amazonino Mendes, governador do Amazonas, falou em alto e bom tom para uma moradora de uma área de risco em Manaus “Morra, morra!”. Além disso, agiu de forma preconceituosa quando ela disse que era paraense, mandando um famoso “Tá explicado!”. Mas, depois de algum tempo, tomada as devidas orientações, deu uma entrevista dizendo que não foi bem isso que ele quis dizer.

Todos nós ouvimos. Alguns em tempo real. Boris Casoy falando da bancada do jornal da Band "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho." Mas depois, obviamente, de tomar todas as precauções jurídicas, disse que não era bem aquilo que queria dizer. E tudo ficou como dantes.

No reality show mais visto do país, são comuns as famosas pérolas de cunho homofóbico, racista e machista de alguns participantes. Mas após saírem do programa, falam na maior tranquilidade e sorriso de bom-moço que não foi bem isso que eles quiseram dizer. Mas, afinal, quando é que se diz realmente o que se quer dizer?

É válido xingar, ofender, mandar morrer e depois dizer que não foi bem isso que foi dito? Mas de fato, quando as coisas são ditas? Se é que são ditas. E se não ouvimos direito? E se?... Ao usarem argumentos como “não foi bem isso que eu falei” essas pessoas além de desmentir o que disseram, ainda colocam em dúvida nossa capacidade de raciocinar.

A criminalização da pobreza esteve presente tanto no infeliz comentário do jornalista da Band quanto no discurso incipiente do gestor do Amazonas. Não há dúvida. E foi exatamente isso mesmo que eu disse. Ah sim, e antes de qualquer dúvida, é válido uma ratificação. Foi isso mesmo que eu quis dizer

2 comentários:

  1. Oi Adison! Há algum tempo aprendi o ditado que corrobora com seu pensamento: "A boca fala o que o coração tá cheio"...
    Abraço.

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  2. "Não devemos perdoar cedo demais"... vi isso em algum lugar e foi uma das melhores lições que recebi.

    Outra frase que cabe aqui é "depois que inventaram a desculpa a gente não pode mais dar umas tapas em ninguém"

    Abraços!

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