quinta-feira, 10 de março de 2011

Confissões de carnaval


Era o primeiro carnaval que os dois passavam juntos. Ele havia planejado tudo. Escolheu a cidade que iriam se hospedar, a trilha sonora que ouviriam em toda a viagem, os acessórios sexuais que comprara pela internet, a aliança que parcelou em três vezes no cartão de crédito da mãe. Nada podia dar errado.
Ela parecia não acreditar no que estava acontecendo. De dentro do quarto de um hotel no centro histórico da cidade de Cametá, em frente ao Rio Tocantins, só se ouvia marchinhas de carnaval. Lá fora uma lua cheia tinha um brilho tão intenso quanto o desejo dos dois. Ele parecia transbordar de felicidade. Ela não falava nada, respondia tudo como um sorriso tenso, quase que automático. Ele não compreendia a maneira como ela reagia, mas não a questionava. Queria aproveitar cada minuto daquele momento.
Fizeram amor, uma, duas, três vezes. Ele queria que o tempo parasse. A lua continuava a brilhar. Ele perguntou se ela estava feliz. Ela respondeu sem palavras. Ele começou a falar de casamento. Ela pediu para mudar de assunto. Disse que tudo ainda era muito novo e não pensava em casar. Ele insistiu, falou que os seis meses que estavam juntos representava muita coisa. Acreditava que nada mais iria separá-los. Ela agiu de maneira ríspida, não queria falar de casamento.
Ignorando seu pedido, ele pegou as alianças do bolso da mochila e a pediu em noivado. A lua brilhava lá fora. Ela disse para ele não fazer isso, pois não queria magoá-lo. Ele fingiu não ouvir e a abraçou. Ela o empurrou e saiu correndo do quarto, ainda nua.
Ele saiu atrás. Ela correu em direção ao cais do porto. Disse que iria se matar. Ele ficou desesperado. Ela gritou novamente. “Vou me matar de felicidade. É claro, que aceito”. Os dois se abraçaram, se beijaram e fizeram amor ali mesmo, ao som das marchinhas de carnaval.

Um comentário:

  1. A felicidade não é uma coisa que todo mundo se adapta facilmente mesmo.

    Lindo conto, meu caro!

    bj!

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