domingo, 20 de fevereiro de 2011

O tempo não pára


Revolução que derrubou o presidente Hosni Mubarack do poder

 Acompanhando a última postagem do blog do meu amigo Eraldo Paulino, sobre os recentes acontecimentos no norte da África e a sua relação direta com a quebra do estereótipo de juventude alienada. Rótulo que nossa geração carrega desde que nasceu, resolvi abordar aqui um assunto que há muito tempo vinha adiando. Afinal, somos ou não somos a geração da alienação?
Quem nasceu após a queda do Muro de Berlim, ou um pouquinho antes, como eu, que nasci em 1985 cresceu ouvindo que o capitalismo venceu porque era a única alternativa, que não haveria mais revoluções no mundo e que a História finalmente seguiria seu rumo numa linha reta, sem mais nenhum tipo de alteração. Além disso, ainda fomos ensinados a temer qualquer discurso socialista e a pensar que as lutas organizadas não eram mais necessárias. Afinal, agora vivíamos numa democracia. E quem votasse a cada dois anos já estaria fazendo sua parte na construção de um país melhor.
Fora tudo isso, somos a geração que cresceu na frente da televisão. Fomos obrigados a virar fã de heróis que na verdade eram porta-vozes do imperialismo norte-americano, a ouvir mesmo contra a vontade a onda oba-oba de axé que marcou a década de 1990, além do bombardeio das mais diversas alienações da indústria cultural. Enfim. Não tem como comparar a conjuntura da nossa geração com a geração da década de 1960. Assim também como não podemos generalizar qualquer uma delas. A generalização de qualquer assunto, seja este qual for, é algo tão burro quanto a unanimidade. Se Nelson Rodrigues estivesse vivo até hoje, creio que ele iria acrescentar mais este substantivo na sua frase célebre.
A nossa geração é tão pluralista quanto à de 1960. Ou alguém aí acredita que toda a juventude dos tempos áureos das revoluções pensava igual. Lógico, que não. Assim como naquela época, hoje existem jovens politizados e jovem não politizados. O que mudou foi a conjuntura. Incluindo aí um ode à alienação, a segmentação das lutas e uma forte cultura individualista imposta pelo capitalismo.
Portanto, antes de qualquer julgamento determinista, é importante pensar que generalizar qualquer assunto, seja este qual for, é a maneira mais superficial de querer se entender as coisas. Incluindo aí a mobilização da juventude atual. Diferente das gerações passadas, agora temos a ajuda da internet, que nas duas últimas revoluções no norte da África foram fundamentais. E como História da humanidade ainda não chegou ao fim, sinto em avisar o pós-modernistas convictos que muitas outras revoluções virão por aí. Pois, como diria um jovem e grande poeta, o tempo não pára.

2 comentários:

  1. Adorei o post, meu caro. E é isso mesmo, a juventude de hoje em dia e de qqr época é o que luta pra ser.

    Bj!

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  2. É história sendo construída de baixo para cima...Viva o povo árabe!!!!

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