segunda-feira, 19 de abril de 2010

MST realiza ato por 14 anos de impunidade








"Justiça". Essa é a resposta de um sobrevivente do Massacre de Eldorados dos Carajás quando perguntando sobre o que ele espera que seja feito 14 anos depois do pior episódio de lutas por reforma agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará. Passado quase uma década e meia, nenhum responsável ainda foi punido. Na época 19 trabalhadores rurais foram assassinados e outras dezenas ficaram feridos durante um confronto com a Policia Militar. "A luta armada só ocorreu porque a PM tentou conter de forma violenta um protesto que fazíamos contra a demora do processo de desapropriação da fazenda Macaxeira, no município de Eldorado de Carajás", relata Ulisses Manaça, diretor estadual do MST e membro da coordenação nacional do movimento.
Para lembrar a memória dos 19 mortos do massacre de Eldorado de Carajás, membros do MST realizaram no último sábado (17/05), na praça da Leitura em São Brás, uma celebração ecumênica promovida em parceria com o Comitê Intereligioso do Pará. "Tudo o que queremos é justiça. É Fundamental o papel da Igreja e outras entidades civis organizadas como aliadas dessa luta por uma reforma agrária de verdade e que atenda de fato os anseios da nossa população", afirma a irmã Marga Rothe, missionária do Comitê.
A demora por justiça e a ausência de políticas públicas que defendam a vida dos trabalhadores rurais do país tornam constantes episódios como o de Eldorado de Carajás. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre 1985 e 2009, foram assassinados 1.546 trabalhadores rurais no Brasil. Somente em 2009, 25 trabalhadores do campo foram mortos por latifundiários. E desse total de conflitos, apenas 85 foram julgadas até hoje, sendo condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49.
O ato realizado do último dia 17 em Belém, fez parte de uma série de atividades da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, promovida pelo MST, que possui como um dos objetivos promover debates sobre a política agrária no país e lutar pela descriminalização do movimento.

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