sexta-feira, 12 de março de 2010

Me perdoa, São Bené!

Marujada do Glorioso São Benedito em Bragança-PA
Prestes a entregar minha monografia do TCC, que trata de um estudo sobre a cobertura telejornalística da Festividade do Glorioso São Bendito de Bragança, lembrei de uma situação comico-trágico curiosa. Vale a pena dividir isso com vocês:

...Desde moleque sou testemunha de inúmeras promessas da minha mãe e da minha vó para São Benedito, padroeiro da cidade de Bragança. Cresci ouvindo que “São Benedito era um santo milagroso”. Depois de presenciar tanta intimidade com o “pretinho” (nome como o santo é chamado carinhosamente pelos bragantinos)  na minha casa, resolvi arriscar . Afinal não tinha nada a perder.

Aos onze anos fiz minha primeira promessa. Prometi ao santo que se eu ficasse curado de uma dor no joelho que vinha sentindo a mais de três meses, compraria uma caixa com velas e acenderia no dia da procissão, dia 26 de dezembro. Ao se aproximar o tão esperado dia e sem sentir mais nenhuma dor, comprei as velas e guardei na minha gaveta para ninguém saber dessa história.

O assunto era apenas entre o santo e eu, nem minha mãe sabia da tal promessa. Sigilo total. Aos onze anos me achava adulto suficiente para resolver isso sozinho. Chegado o dia da procissão, com a caixa de velas no bolso e pronto para pagar minha promessa, me dirigir para a parte de trás da igreja de São Benedito, onde existe uma espécie de mesa de ferro destinada para acender as velas em homenagem ao santo. Tudo teria saído muito bem se eu tivesse pedido ajuda para um adulto. Mesmo me achando suficiente preparado para exercer minha função naquele momento, fui barrado pelos organizadores da festa. Achei um absurdo a reação daquelas pessoas. Ainda que eu corresse o risco de me queimar, pois as chamas das velas chegavam a atingir quase um metro, me achava pronto para encarar aquela situação.

A possibilidade de ocorrer uma queimadura era grande e extremamente viável. Hoje entendo perfeitamente porque não deixaram um menino gordinho de dentes salientes acender sozinho uma caixa de velas atrás da igreja. Passado o momento de frustração, voltei para o arraial para procurar minha mãe e voltar para casa. Achava inadmissível ter de pagar a promessa outro dia. E se o santo não aceitasse mais? Como ficaria minha reputação? Será que eu merecia um castigo por não ter cumprindo a risca minha promessa?.. Enfim, não faltaram indagações na minha cabeça. Mas de uma coisa eu tinha certeza, se tivesse avisado meus pais sobre a promessa tudo seria diferente. Eu fui o único proibido de acender as velas, se tivesse acompanhado de um adulto a história seria outra. Fazer o quê? Agora só restava esperar outro dia, de preferência um dia sem aquele movimento intenso, voltar ao local e pagar minha promessa. Foi isso que fiz...me perdoa, São Bené!